Adolfo Aizen, o russo fundador da Ebal

Adolfo Aizen (Ekaterinoslav, Rússia, 10 de junho de 1907 — Rio de Janeiro, RJ, 1991) foi um jornalista e editor russo, naturalizado brasileiro.

Aizen, que é tido por muitos como o “pai dos quadrinhos no Brasil”, foi um dos principais responsáveis pela introdução no Brasil das histórias em quadrinhos norte-americanas, como Mandrake, Tarzan, Dick Tracy, Príncipe Valente e Flash Gordon.

Adolfo Aizen nos EUA, na viagem que trouxe vários super-heróis para o Brasil, entre eles Superman

Sempre acreditou-se que Aizen nasceu em Juazeiro, na Bahia. Mas o escritor Gonçalo Junior, afirma em seu livro A Guerra dos Gibis, de 2004, que Afonso Aizen era um judeu russo nascido em Ekaterinoslav e não baiano (embora tenha morado na Salvador e nunca esteve em Juazeiro). Esse fato tem grande importância porque naquela época um estrangeiro não podia ser proprietário de uma empresa de comunicação no Brasil.

Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1933, começa a trabalhar na editora “O Malho”, responsável pela revista O Tico-Tico. Em 1934 lança o histórico “Suplemento Juvenil”, com histórias de personagens dos quadrinhos americanos cujos direitos autorais pertenciam a King Features Syndicate. Era suplemento, porque acompanhava um jornal (no caso, o jornal A Nação), da forma como faziam os jornais de Nova Iorque, com grande êxito. Com as ótimas vendas, o suplemento passou a circular pela editora “Grande Consórcio de Suplementos Nacionais”, fundada por Aizen. O dono do jornal O Globo (Roberto Marinho) havia recusado a ideia de Aizen, mas quando viu o sucesso da concorrência, resolveu lançar também um suplemento infantil, que chamou de “O Globo Juvenil”.

Aizen não gostou que a palavra “juvenil” tivesse sido usada e lançou uma revista no formato Standard chamada “O Lobinho”, para evitar que seu concorrente utilizasse Globinho, segundo conta-se. A revista “O Gibi” também foi lançada (1939) para competir com a revista Mirim, de Aizen (primeira revista usar o formato “comic book” no Brasil, lançada em 1937).

Antes de criar a EBAL, Aizen foi proprietário da editora “Grande Consórcio de Suplementos Nacionais” (editora que atuou entre os anos de 1934 e 1942), onde editava publicações como Suplemento Juvenil, O Mirim e O Lobinho (nos quais debutaram muitos dos personagens da Era de Ouro dos Quadrinhos, como Falcão da Noite, The Flash (Joel Ciclone), Superman, Batman e outros), já era um profissional experiente quando fundou a Editora Brasil-América. O primeiro título lançado por ela foi Seleções Coloridas em 1946, que durou apenas 17 edições. Suas páginas traziam histórias da Disney, entre elas as primeiras de Carl Barks publicadas no Brasil.

A revista foi publicada em parceria com a editora argentina Editorial Abril de César Civita (irmão do jornalista Victor Civita), Civita possuia a licença dos personagens Disney e uma moderna impressora colorida, anos mais tarde (1950), o irmão de Cesar, Victor fundaria a Editora Primavera (atual Editora Abril).

O primeiro título sem o auxilio da editora argentina foi O Heroi (sem acento mesmo), trazendo a princípio histórias de aventura da Fiction House (editora que publicou os heróis das selvas: Sheena, a rainha das selvas, Kaanga (traduzido para Kionga), Tabu, entre outros) além de Edição Maravilhosa (versão brasileira das revista Classics Illustrated e Classic Comics)que trazia adaptações de clássicos da literatura.[1]

A publicação já era um tremendo sucesso quando a editora lançou seu título mais longevo com um único super herói: Superman, publicado de novembro de 1947 até outubro de 1983.

A Ebal lançaria no Brasil vários autores estrangeiros, como Alex Raymond (Flash Gordon), Lee Falk (O Fantasma), Quadrinhos Disney (em Seleções Coloridas), Hal Foster (Príncipe Valente), e Chester Gould (Dick Tracy), além das publicações da DC e posteriormente da Marvel Comics.

Em 1945, Aizen funda a editora de revistas infantis Editora Brasil-América Limitada (EBAL), pioneira na introdução de temas e heróis brasileiros nas histórias em quadrinhos.

Em 1947 a Ebal inicia a publicação da revista em quadrinhos “O Heroi” (sem acento). No primeiro número havia quadrinhos das revista americana “Rangers Comics” (Sky Rangers ou “Patrulheiros do Ar”, “Amazona dos Cabelos de Fogo” e “Glória (do original “Glory) Forbes”) e da Movie Comics (“John Danger”, detetive de Hollywood), ambas da editora Fiction House, além das primeiras tiras (reformatadas) da King Features Tommy of the Big Top (lançada como “Fred e Nancy no circo”). Em novembro de 1947 lançou “Superman”, o título mais duradouro da editora.

Já firmada como a principal editora do gênero no Brasil nos anos 50 e 60, a editora era líder também nas bancas, vendendo anualmente milhões de revistas e chegando a ter inclusive mais de 40 títulos mensais com tiragens superiores a 150 mil exemplares.

Além de material importado, a Ebal publicou várias revistas com artistas brasileiros, como Álbum Gigante, Série Sagrada, com biografias de santos católicos e Episódios e História do Brasil e Figuras do Brasil, com adaptações de fatos históricos[1].

Célebre na época foi também a estréia dos personagens da Marvel Comics. Uma parceria da editora com a Rede Bandeirantes (que exibia o bloco de animação The Marvel Super Heroes, a Atma(que lançou bonecos dos personagens), syndicate APLA (Agência Periodista Latino- Americana), que obteve licença da editora através do Transworld Features Syndicate, e os postos Shell, através de uma campanha de marketing pela Standard Propaganda.

No início da década de 1970, inaugurou o Museu Permanente de Histórias em Quadrinhos, um antecessor das chamadas gibitecas com títulos de exemplares de vários lugares do mundo.

Era notável como a editora traduzia o nome de alguns personagens. Estas traduções interessantes, e que foram mantidas por editoras sucessoras, incluem Ajax, o Caçador de Marte (no original, somente Martian Manhunter; o nome Ajax é uma referencia a um herói da Guerra de Tróia), Eléktron (no original, Atom); Miss América, como se convencionou a traduzir originalmente a Wonder Woman, mas que posteriormente, devido ao sucesso da série da personagem passou a ser traduzida como Mulher Maravilha; Falcão da Noite, originalmente Hawkman; Joel Ciclone, originalmente The Flash. A editora também tinha uma preocupação em desestimular o uso de palavrões entre os leitores. Muitas vezes isso incluiu traduzir o nome de alguns personagens para variações mais “comportadas” (como o caso dos personagens da DC Comics, Joker e King Kull, cuja tradução correta seriam respectivamente Curinga e Rei Kull, mas foram vertidos pela Ebal para Coringa e Rei Rull).

Aniversário de 25 anos da EBAL

Durante suas primeiras quatro décadas a Ebal foi uma forte influência em várias gerações de editores, artistas e leitores, contribuindo decisivamente para a estabilização das histórias em quadrinhos no Brasil. Atualmente fala-se muito do impacto das revistas em quadrinhos como uma forma de expressão artística importante no mundo atual. Mas nas décadas de 50 e 60 as críticas e os ataques por parte de setores conservadores e clericais da sociedade eram constantes, propagando que o gênero era prejudicial aos jovens.

Mas Adolfo Aizen defendeu de forma ferrenha os quadrinhos em inúmeras entrevistas, artigos e campanhas, afirmando que as revistas, na realidade, estimulavam o hábito de ler, sendo de uma importância ímpar na educação.

Aizen teve três filhos, dois dos quais trabalharam com ele, como diretores, na EBAL: Paulo Adolfo Aizen (como diretor-gerente) e Naumin Aizen (como diretor-editorial).

Fonte: Wikipédia

 

 

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