Edgar Rice Burroughs, autor de Tarzan dos Macacos

Desde o dia em que nasceu, 1 de setembro de 1875, em Chicago, até àquele em que ofereceu a sua primeira história a All-Story Magazine, em 1911, Edgard Rice Burroughs fracassou em quase tudo o que tentou. Freqüentou meia dúzia de escolas públicas e particulares antes de se formar na Academia Militar de Michigan. Não tendo conseguido designação para um posto em nenhuma unidade militar – nem mesmo no exército chinês – acabou sentando praça no Sétimo Batalhão de Cavalaria dos Estados Unidos. Mas, ao dar baixa, continuava sendo praça. Uma sucessão de dezoito empregos diferentes e tentativa comerciais se seguiram ao seu casamento em 1900, com Emma Centennia Hulbert – e, em 1911, teve que empenhar o relógio a fim de comprar comida para a família.Tendo passado quase toda a vida a rabiscar, esboçar e escrever versos para se divertir, ERB decidiu, neste ponto baixo da vida, quase passando fome, ver se o público receberia tão bem os seus vôos de imaginação, como os recebiam os seus amigos e a sua família.

Sua primeira história – escrita no verso de folhas de papel timbrado de empresas falidas pois não tinha dinheiro para comprar papel de qualidade – lhe trouxe quatrocentos dólares. Hoje, aquela história, “Uma Princesa de Marte”, é aclamada como um

ponto de partida para a ficção-cientifica do século XX.A seguir, ERB escreveu um romance histórico. Foi rejeitado. Novamente sem vintém, quase desistiu. Mas uma carta de apenas uma linha, que lhe escreveram os editores, lhe deu ânimo para continuar:
2, mas trouxe para ERB apenas setecentos dólares. E, como a história tinha surgido inicialmente numa revista popular, foi rejeitada por quase todos 

os principais editores de livros no país. Entretanto, quando Tarzan dos Macacos foi editado em livro, finalmente, por A.C. McClurg & Company, tornou-se o best-seller de 1914. “Coragem – não desista!”. A próxima história decidiria o seu futuro. Foi Tarzan dos Macacos.Tarzan dos Macacos demonstrou ser um êxito espantoso desde o instante em que apareceu em All-Story Magazine, em 191
Uma torrente de romances vieram a seguir: histórias a respeito do planeta Vênus, histórias sobre os índios apaches, contos de faroeste, comentários sociais, histórias policiais, contos passados na Lua e no centro da Terra. Apareceram mais e mais livros de Tarzan. Finalmente, quase cem livros saíram de autoria de ERB, que se gaba de “não ter a mínima idéia de como se escrevia uma história”.
Em 1918, Tarzan chegou à tela. “Tarzan dos Macacos”, com Elmo Lincoln no papel principal, foi o

primeiro filme da História a obter uma renda bruta de mais de um milhão de dólares. Desde então, produziram-se trinta e nove filmes de Tarzan, cada um deles com grande êxito financeiro. Embora gostasse de caçoar das películas, ERB ficou amargamente desapontado com os filmes de Tarzan. Muitas vezes nem ia vê-los. O seu Tarzan era um homem supremamente inteligente, sensível, verdadeiramente civilizado; heróico, belo e, acima de tudo, livre. O mundo conhece bem a caricatura semi-analfabeta que Hollywood fez de Tarzan.

Em 1919, com sua segurança financeira assegurada, ERB comprou a propriedade do General Harrison Gray Otis, na California, de cerca de duzentos hectares, dando-lhe o nome de “Fazenda Tarzana”. Ali, escreveu prodigiosamente e dirigia a empresa de âmbito mundial que é hoje Edgar Rice Burroughs, Inc. Em 1941, apresentou-se como voluntário para ser correspondente de guerra e, finalmente, voltou do Pacífico Sul

para casa – na qualidade de o mais idoso correspondente norte-americano – somente após ter sofrido uma série de ataques do coração.Passou o resto de seus anos como semi-inválido, numa casa modesta na Avenida Zelzah, em Encino, na California, onde pousou a pena pela última vez aos 19 de março de 1950. As suas cinzas foram levadas de volta a Tarzana, onde, de acordo com seu próprio desejo, repousam em túmulo sem marca.

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