Gogol, filho de cossaco

Filho de cossaco, Gogol – Nicolau Vasilievitch Gogol – nasceu em 1809, na Ucrânia, em Sarotchinsi, distrito de Pultava. Do pai – temperamento expansivo – parece ter herdado não só a inclinação literária, como essa tendência para apreender os ridículos humanos, tão característica em sua obra; da mãe herdaria o espírito religioso que iria conduzi-lo ao misticismo doentio dos seus últimos anos de vida.

Depois dos primeiros estudos, em que não se distinguiu entre os colegas, deixou a província natal para ocupar um modesto cargo público em São Petersburgo. O ambiente burocrático, com suas praxes, seus tipos rotineiros enervou-o, irritação que a nostalgia da Ucrânia distante transformava no mais profundo amargor.

Em 1831, conseguiu um lugar mais adequado às suas condições intelectuais: o de professor de um colégio de moças. Logo depois, realizou um curso na Universidade de Kiev. Iniciou, então, a carreira de escritor, escrevendo com intervalos de alguns anos as seguintes obras: “Vigílias da Cabana” (1831-1832), contos baseados no folclore ucraniano; “Taras Bulba” (1832), romance; “O Revisor” (1836), comédia, representada em São Petersburgo e terrível sátira à burocracia russa, uma das obras-primas do teatro de todos os tempos.

Depois de uma viagem através da Europa, com longa permanência em Roma, regressa à pátria para escrever a primeira parte das “Almas Mortas”, crítica ferina dos costumes e das instituições russas. Novas viagens a Florença, Wiesbaden, Nápoles, Paris, e ei-lo outra vez na Rússia a escrever a segunda parte das “Almas Mortas”, do qual se salvaram apenas alguns capítulos.

Faleceu a 21 de fevereiro de 1852, tendo sido sepultado, segundo a sua vontade, no monastério de São Daniel. São-lhe concedidas cerimonias e reconhecimento únicos: seu corpo embalsamado segue insepulto por mais de um dia, carregado pelos estudantes, que oferecem homenagens acaloradas em memória do grande escritor. Todos os que haviam lido Gogol queriam ver de perto a despedida do grande autor. Está enterrado no Cemitério Novodevichy, em Moscou.

Sua obra fez, de Nikolai Gogol, o maior escritor russo da primeira metade do século XIX, o verdadeiro introdutor do realismo na literatura russa e o precursor genial de todos os grandes escritores russos que se lhe seguiram. Como disse Dostoiévski: “Todos nós saímos de O Capote de Gógol”. Toda a literatura russa, que já muito devia a Púchkin, colherá, em Gogol, os maiores ensinamentos.

A capacidade de deformar para melhor ressaltar a verdade dos tipos é um dos traços principais desse extraordinário talento criador, e a maneira pela qual ele atinge a nota viva e humana em suas obras. “Taras Bulba”, embora seja uma das mais notáveis obras de Gogol, figura num lugar à parte pelo seu caráter histórico.

Foi a única vez em que o escritor realizou um admirável poema épico em prosa. A ação decorre no século XVI, quando os cossacos lutavam com os poloneses e os turcos, e encerra um episódio heroico e trágico dessas disputas sangrentas.

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